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18102016
A história de um killer Português de Arouca...

As serras e os distritos da Guarda, Viseu e Aveiro estão em polvorosa. Em fuga está um homem que matou duas pessoas e feriu para matar mais duas. Um homem que na sua terra poucos acreditam ser um assassino.  


Os amigos, que tem muitos em Arouca, chamam-lhe Pinho Dias, algumas pessoas da terra tratam-no por Pedro João. Não é conhecido por Pedro Dias, como aparece nos jornais, e ninguém sabe onde a comunicação social foi buscar a alcunha de ‘o piloto’. O certo é que também ninguém conseguiu aceitar que Pinho Dias tivesse feito o que aparentemente fez na madrugada da passada terça-feira.

Aquilo que está confirmado, é que na sequência de acontecimentos daquela madrugada ficam dois mortos e dois feridos graves. Há ainda um outro GNR baleado na perna, não sendo claro se foi o fugitivo que o feriu ou um acidente com ‘fogo amigo’. Todos os dias a profusão de notícias parece fazer o caso mais estranho.
Foi a poucas centenas de metros da Quinta das Lameiras que foi parar o soldado Carlos Caetano da GNR, 29 anos, depois de transportado morto na bagagem do próprio carro patrulha. A viatura foi encontrada a pouca distância de onde vivia e a umas centenas de metros de onde o seu corpo foi velado, na quarta-feira, na capela da Quinta do Cepo, ao lado do cemitério em que foi enterrado no dia seguinte. Na capela o ambiente é pesado de espanto e consternação. O silêncio só é quebrado pelos choros das mulheres. Ninguém percebe a violência do que aconteceu.
Filme dos acontecimentos
Pedro João estava parado num local mais ou menos ermo mas junto ao hotel cuja construção, com a crise imobiliária, ficou a meio. Aparentemente sozinho, dentro de uma carrinha pick-up. A GNR que, à conta da ocorrência de alguns focos de incêndio durante a noite, faz o patrulhamento da zona, depara-se, por volta das três da manhã com a carrinha estacionada. Os dois agentes saem ao seu encontro e veem o indivíduo sentado, sozinho. A conversa foi amigável. Ele saiu para fora da carrinha e deu a carta de condução e o livrete. Carlos Caetano ao pegar no livrete verifica que a carrinha não está em nome de Pedro João e vai ao carro patrulha para pedir informações da matrícula. Estava em nome de uma ex-companheira e fora comprada no âmbito da exploração agrícola de que eram sócios. Ao separem-se ele ficou com a exploração agrícola.
Pedro João permanece junto do outro agente, António Ferreira, 42 anos que, momentaneamente, meta a carta de condução no bolso do casaco. Nesse instante, um ruído provoca a distração dos agentes. Pedro João aproveita o momento e puxa de uma pistola que tem à cintura, por baixo da camisa, e mata Caetano e aponta logo a arma a António que é apanhado desprevenido. Até àquele momento, não havia qualquer indício de crime. «Claro que a dúvida que subsiste é por que razão fez isto, se não estava a fazer nada. Estava parado dentro da carrinha», interroga-se um elemento ligado à investigação.
Carlos Caetano tem morte imediata, António Ferreira é desarmado e obrigado a enfiar o colega na bagageira do carro da GNR. É algemado no banco do passageiro de forma a não se conseguir mexer.
GNR obrigado a despistar colegas
Anda meia dúzia de quilómetros. Inteligente e frio, aproveita o guarda para fazer manobras de diversão e despistar os colegas de António Ferreira. Obriga António a dar informações disparatadas à sala de emergência da GNR, o homem é obrigado a pedir várias informações sobre muitas matrículas de viaturas, para desviar suspeitas para outros lados. O que veio a funcionar. Quando a GNR começa a investigar o que sucedeu à patrulha vai atrás de um conjunto de carros inocentes, alguns deles pertencentes a famílias ciganas, o que dá horas preciosas a Pedro João.
Enfia o carro patrulha por um monte acima até que o carro atolou. Aí mandou o agente sair e algemar-se a uma árvore. Depois atinge-o na cabeça e António cai. Julgando-o morto, enfia o corpo numa vala, deita alguma vegetação por cima, pedras, e abandona a viatura.
Desce a ladeira durante um bom bocado e quando apanha de novo a estrada principal com as armas dos dois agentes aborda o casal que vai a passar acidentalmente. Luís Pinto, 29 anos, e Liliane Pinto, 24 anos, iam para uma consulta de fertilidade em Coimbra. Depois de conseguir parar a viatura do casal, executa-os com tiros na cabeça. O homem morre, a mulher sobrevive e está no hospital em coma induzido. Volta ao local do primeiro crime, junto do hotel. Aí dissimula o carro do casal no meio de umas giestas, e pega na pick-up. O que indicia que provavelmente estaria sozinho, se ele tivesse estado naquele local com mais alguém, não precisava de voltar para retirar a carrinha. Só quando descobrem, muito mais tarde, a viatura do casal assaltado é que a PJ consegue perceber isso. Por que é com essa viatura que ele vai recuperar a carrinha inicial. Ao apanharem o carro do casal ao lado do sítio onde ocorre o primeiro crime percebem: ele tinha voltado ao local com aquele carro.
Os vestígios
Entretanto, António não morrera e Pedro deixara vestígios com que não contava. Tinha os documentos, mas a sua carta de condução continuava no bolso do casado GNR que pelas cinco e pouco recupera os sentidos, consegue desenvencilhar-se da vegetação e tem dois quilómetros pela frente até encontrar ajuda. Só pelas sete e pouco encontra socorro. E só a partir dessa hora é dado o alerta.
Nesse momento, Pedro João estava a caminho de Fornos de Algodres para ir ter com a ex-companheira, que está a sair para ir dar aulas, e pede-lhe para ir com ele buscar outra carrinha. Mais tarde ouvida pelas autoridades, verifica-se que um salpico de sangue está na roupa dela. Até aí ela não se teria apercebido da mancha. Os investigadores acreditam que deve ter sido durante o contacto, entre os dois, que se dá essa transferência de vestígios. Apesar de ela dizer que não se apercebeu que ele estava sujo de sangue. Ela disse que ele estava como se nada fosse, «não me contou nada».
A professora deixa o seu carro e vai com ele buscar outra carrinha à propriedade que ambos em tempos tinham explorado, mas Pedro não chega a sair da carrinha com receio que o vejam. É ela quem a vai buscar. Até essa altura a GNR não está no terreno.
Quando pelas 8h00, se inicia a investigação, as informações que subsistem para se começar a trabalhar, são as que ele forçara António Ferreira a transmitir para a central. Este sobrevivera por pouco: a bala, disparada no rosto, bate no maxilar e aloja-se na zona do pescoço. Ele diz umas breves palavras aos colegas e desmaia. Só quatro horas depois consegue descrever o sucedido.
Nessa altura, uma patrulha da GNR dá com Pedro João a sair do LIDL de São Pedro do Sul onde tinha ido comprar comida. Dá-se uma perseguição e o fugitivo abandona o carro e foge pelos montes.
A partir dai, os investigadores não sabem onde está Pedro João, mas valorizam indícios que ele poderia já estar em Espanha.
Há 12 anos nestes caminhos
No último local em que ele foi avistado, junto à aldeia de Candal, distrito de Aveiro a poucas dezenas de quilómetros de Arouca, Luísa compra mercearias ao casal Maria e Fernando. Há 12 anos que calcorreiam estas serras com uma espécie de mercearia voadora, uma camioneta que passa por todas as aldeias. «Sabe, isto são zonas muito envelhecidas, as pessoas já não têm condições de ir até às vilas mais próximas». O casal está admirado com tanta comunicação social no meio das serras, apesar de já terem entrado numa reportagem da RTP há uns anos nunca a chegaram a ver, «no dia em que era para sair não saiu e depois não soubemos quando», comenta Maria. Luísa com a pela tisnada pelo sol e os anos diz-nos que não tem televisão, mas parece que nos últimos dias até saiu na internet. Internet essa que aqui não chega. «Nem há normalmente rede para os telemóveis», informa Fernando. Enquanto falamos calmamente, passam oitos carros de jornalistas pelos confins da serra. Pergunto a Luísa que mora na Rua Principal de Candal se o medo de dar com o alegado criminoso levou, como dizem nas televisões as aldeias da região a ficarem desertas. Luísa sorri, manda uma gargalhada, e responde-me: «Isto está sempre assim, moram aqui menos de 30 pessoas». Fala com carinho dos guardas da GNR que ficaram a guardar a população nos últimos dias. «Coitados dos dois rapazes que ficaram encostados à parede de minha casa à chuva a noite inteira. Ainda lhes dei água». Sobre se conhecia o fugitivo, diz que só de vista. «O Manel lá de baixo é que o conhecia, comprou-lhe duas vitelas, parece que era de boas contas, porque lhas pagou logo. E tinha apalavrado comprar na próxima segunda-feira mais dois animais a umas mulheres daqui, acho que já não o vai fazer», diz a sorrir. Foi perto daqui que se diz ter avistado pela última vez Pedro João, e se ouviu, horas depois, o tiro que feriu um GNR na perna.
O santo da casa
Em Arouca não se fala de outra coisa. As pessoas estão pegadas aos ecrãs da televisão dos cafés e comentam pelas ruas. Uma mulher está indignada com a notícia que dá que a GNR teria dado ordens para o abater: «Afinal já há pena de morte», quando lhe comento que isso é impossível, não há ordens desse tipo, coisa que o comando da GNR vem confirmar ao dizer, em comunicado, que a instituição cumpre estritamente a legalidade, ela responde-me desconcertada: «Mas saiu na televisão». Para que conste, o comunicado da GNR diz o seguinte: «Apesar da gravidade dos factos ocorridos, tendo a instituição perdido um dos seus militares, em momento algum foi dada a ordem mencionada, uma vez que a utilização da força está devidamente definida na lei e nos regulamentos e normas internas da própria instituição. A GNR é uma instituição que defende acima de tudo o estado de direito democrático do nosso país, pelo que toda a atividade da instituição e dos seus militares é regida pelo estrito cumprimento das leis da República Portuguesa».
Um professor de 53 anos, que foi colega da mãe de Pedro João, diz que não acredita em nada do que lê sobre o seu antigo aluno e amigo, que conhece desde que nasceu. «Eu sou como São Tomé, comigo é ver para crer», ironiza. Sobre o amigo diz que é uma excelente pessoa. E como aluno? «É muito inteligente mas sempre foi preguiçoso», revela. Coisa que concorda outro amigo com que falamos: «O Pinho Dias não gostava de trabalhos das nove à seis. Isso não era para ele, era um sedutor, com o seu metro e oitenta e oito de altura fazia furor, e estava sempre com esquemas e dívidas». O primeiro esquema duvidoso que cometeu teria sido o roubo de duas vacas há cerca de 20 anos. A família muito considerada na terra, a avó enfermeira, o pai engenheiro agrícola e a mãe professora iam resolvendo as pequenas encrencas em que se metia, quando pura e simplesmente o seu encanto não dava conto do recado. «Era vê-lo todos os anos, cada vez que apareciam professoras novas na terra, a aparecer de ramos de flores, eram poucas as que não caiam. As suas grandes paixões eram as mulheres, as coisas agrícolas, os cavalos e as armas», revela um amigo. Desde cedo que gostava de armas e ia à caça. Ao contrário do que alguns jornais falavam, Pedro João não tinham nenhuma preparação militar, muito menos na África do Sul onde só esteve há poucos anos.
Na terra não há falta de gente que garante que apesar do noticiado o ajudaria, mesmo agora, se ele lhes aparecesse à frente. As mesmas pessoas que falam de alguns dos seus pequenos crimes: o roubo das vacas, uma quinta onde tinha espécies proibidas e armas não autorizadas e muitos episódios que nunca chegaram à justiça.
Um dos mais falados é o do seu desentendimento com o dono do café Arouquense que fica no centro da terra. Pedro João não gostava de gente armada aos cucos, e embirrava bastante com um construtor civil que era conhecido por receber em dinheiro dos emigrantes para não dar contas ao fisco. O homem, de primeiro nome Luís, fazia gala de exibir maços de notas nos cafés e bares da cidade. Numa noite estava no café Arouquense com um molho com muitas dezenas de milhares de euros. Pedro João começou a dar-lhe bebidas, para alegadamente o roubar. No meio da confusão que se seguiu, houve um amigo que lhe pediu que não fizesse isso, e nada aconteceu. Uns dias depois, quando ia entrar no café, o dono de apelido Fontes impediu-o: «Aqui não servimos ladrões», disse. Pedro João terá respondido que logo veriam isso. E fez-lhe essa noite uma espera. Quando o homem do café ia chegar a casa à noite, levou com uma tábua na cabeça. O caso não deu em nada. Quando, depois de contada a história por várias pessoas, vamos ao café confirmar a história, um cliente defende o comportamento do alegado agressor: «Ele mereceu, está sempre a provocar as pessoas e não é a primeira vez que tem problemas com isso».
Apesar destes episódios nada na vida de Pedro João poderia prever que viesse a cometer esta série de assassínios. Recapitulemos o que se sabe:
Pedro João, 44 anos, nasceu em 1972 em Angola. Cresceu desde criança em Arouca. É divorciado. Foi casado com uma veterinária de quem tem uma filha de 14 anos cuja guarda lhe foi atribuída recentemente. E tem uma criança pequena de uma relação recente.
Tem o brevet de piloto tirado numa escola de pilotagem na África do Sul. Aí teve formação adequada ao exercício dessa profissão que é um treino muito exigente. Não tem qualquer treino militar, ao contrário que foi dito na comunicação social. Não exerce regularmente a carreira de piloto mas tem feito alguns serviços na aviação comercial. Uma ex- companheira, já ouvida pela PJ, diz que o foi buscar várias vezes a Madrid ao aeroporto.
Só esteve na África do Sul recentemente. E essa estada estará relacionado com um caso que manteve com uma senhora, professora que viveu na África do Sul muito tempo. A relação começou há cinco anos.
Além dos voos intermitentes está ligado à exploração agrícola. Já esteve dedicado à criação de cabras e coelhos. Tem pelo menos duas propriedades onde tem cabeças de gado e cavalos. Mas como a atividade não é muito rentável, ele normalmente tem dívidas consideráveis. A professora comprou uma propriedade agrícola e ambos começaram a explorá-la. Mas as coisas não lhe correram bem e ele não gostava muito de cumprir horários de trabalho e a carga caia toda em cima da mulher. E as dívidas também. Há dois anos ela fartou-se e acabaram. Mas foi com ela que Pedro foi para a África do Sul tirar o brevet.
Cadastro
Crime da competência da PJ não tem. Apenas alguns processos de violência doméstica no tempo em que era casado, a maioria de 2009, uma falsificação de matrículas, tem uma posse de droga em quantidade reduzida, e posse ilegal de armas, uma das suas grandes paixões. Tudo na PSP de Aveiro. Nada que justifique esta violência: quatro tiros na cabeça de quatro vítimas. Quem atira para a cabeça sabe que quer matar. Até agora as autoridades não conseguem perceber o que levou que homem reagisse assim à patrulha da GNR. Não parecia ter nada de ilegal. O vaticínio dos investigadores é que Pedro João terá cometido alguma coisa antes de ser abordado pela patrulha da GNR, e julgou que estaria já a ser seguido por isso. Quando Carlos Caetano vai pedir informações via rádio à central, ele pensou confirmar essas suspeitas que estava a ser detido por ter sido descoberto. Pelos vistos até hoje não foi descoberta a razão.
Na quinta-feira, às 15 horas, seis elementos da Polícia Judiciária estiveram mais de uma hora e meia na casa dos pais de Pedro João, quando saíram levaram alguns sacos e vários envelopes com documentação. Durante esse tempo, uma dúzia de jornalistas de vários órgãos de comunicação e algumas televisões ficaram à porta à espera do que poderia acontecer. Enquanto estavam acampados nessa rua do centro da Arouca as pessoas iam passando e protestando com os jornalistas: «Deixem os pais em paz, mesmo que seja algum dia provado que o filho é culpado, a família não tem culpa».
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